Fonoaudióloga Karen Montebelo
Helena Cianciarullo - CRFa. 10993
O
Autismo ou Transtorno do Espectro Autista é uma disfunção global do
desenvolvimento. É definido por alterações presentes antes dos três anos de
idade que afetam três importantes áreas: a comunicação (Fala e linguagem ausentes ou alteradas), a socialização (estabelecer
relacionamentos) e o comportamento (padrões restritos de comportamento,
estereotipias).
Afeta,
em média, uma em cada 88 crianças nascidas nos Estados Unidos, não tendo
estatísticas registradas no Brasil.
Existem
muitos graus de autismo, mas quanto mais cedo a criança for identificada e
começar o tratamento, melhor será seu desenvolvimento.
Segundo
a ASA ( Autism Society of America), indivíduos com autismo usualmente exibem
pelo menos metade das características listadas a seguir:
1. Dificuldade de relacionamento com outras pessoas
2. Riso inapropriado
3. Pouco ou nenhum contato visual - não olha nos olhos
4. Aparente insensibilidade à dor - não responde
adequadamente a uma situação de dor
5. Preferência pela solidão; modos arredios - busca o isolamento e não procura outras crianças
6. Rotação de objetos - brinca de forma
inadequada ou bizarra com os mais variados objetos
7. Inapropriada fixação em objetos
8. Perceptível hiperatividade ou extrema inatividade - muitos têm problemas de sono ou excesso de passividade
9. Ausência de resposta aos métodos normais de ensino - muitos precisam de material adaptado
10. Insistência em repetição, resistência à mudança de rotina
11. Não tem real medo do perigo (consciência de
situações que envolvam perigo)
12. Procedimento com poses bizarras (fixar objeto ficando
de cócoras; colocar-se de pé numa perna só; impedir a passagem por uma porta,
somente liberando-a após tocar de uma determinada maneira os alisares)
13. Ecolalia (repete palavras ou
frases em lugar da linguagem normal)
14. Recusa colo ou afagos - bebês preferem
ficar no chão que no colo
15. Age como se estivesse surdo - não responde pelo
nome
16. Dificuldade em expressar necessidades -
sem ou limitada linguagem oral e/ou corporal (gestos)
17. Acessos de raiva - demonstra extrema
aflição sem razão aparente
18. Irregular habilidade motora - pode não querer
chutar uma bola, mas pode arrumar blocos
19. Desorganização sensorial - hipo ou
hipersensibilidade, por exemplo, auditiva
20. Não faz referência social - entra num lugar
desconhecido sem antes olhar para o adulto (pai/mãe) para fazer referência
antes e saber se é seguro
A terapêutica pressupõe uma equipe
multi e interdisciplinar – tratamento médico (pediatria e psiquiatria) e tratamento não-médico (psicologia, fonoaudiologia, pedagogia e terapia ocupacional),
profissionalizante e inclusão social, uma vez que a intervenção apropriada
resulta em considerável melhora no prognóstico.
Dentre
os profissionais citados acima, o fonoaudiólogo é o profissional habilitado
para intervir nos distúrbios da linguagem e sua atuação precoce é fundamental.
A
habilidade de linguagem se desenvolve em diferentes níveis de forma ordenada e
contínua: o nível fonológico (fonemas, sons da fala formando palavras),
sintático (formação de sentenças), lexical (vocabulário), semântico
(significado) e pragmático (uso funcional da comunicação). Na intervenção,
serão trabalhadas as habilidades necessárias, ou seja, os aspectos onde foram
apresentadas dificuldades durante a avaliação.
Os
problemas de comunicação das crianças autistas podem variar de intensidade.
Algumas podem não falar, enquanto outras apresentam um bom vocabulário e podem
falar sobre diversos assuntos de seu interesse, mas a maioria apresenta a
alteração da linguagem como aspecto característico, principalmente no que se
refere ao aspecto pragmático, ou seja, saber o que, como e quando falar, de forma
contextualizada.
Muitas que falam podem apresentar dificuldade em
iniciar a comunicação, dizer coisas sem contexto ou informação, repetir o que
ouviram (ecolalia) ou discursos que memorizaram em algum momento, problemas de
entonação (falar cantando ou usando uma voz mecânica como se fossem robôs), inversão pronominal (uso de “ele”,
em vez de “eu”), dificuldades para a compreensão de ambiguidades e metáforas
(muito comuns em piadas) entre outros.
O objetivo da
terapia fonoaudiológica é fazer com que a criança utilize a comunicação
funcional, ou seja, se faça entendida, seja por meio da fala ou, quando a
linguagem oral não é possível, momentânea ou permanentemente, deve-se
pensar junto à família a necessidade do uso de um sistema de comunicação
suplementar e alternativa que, em muitos casos, promove o desenvolvimento da
fala. Vale ressaltar que a primeira "língua" da maioria dos autistas
é a visual.
Um sistema muito utilizado como auxiliar no desenvolvimento da linguagem com
autistas é o PECS (Picture
Exchange Communication System - Sistema de Comunicação por Troca de Figuras), que
permite à criança com pouca ou nenhuma habilidade verbal comunicar-se usando
figuras (ensina o autista a trocar uma foto ou símbolo por algo que deseja),
possibilitando expressarem seus anseios e desejos.
A
vantagem do PECS é a sua simplicidade e racionalidade em proporcionar uma
resposta primária por parte do autista, ou seja, ele escolhe a foto (visual) do
PECS que demonstra o que quer estabelecendo e iniciando a interação e o
processo de comunicação com os outros.
Muito importante lembrar que a chave do
sucesso de qualquer tratamento realizado com a criança autista depende não só
do empenho e qualificação dos profissionais que se dedicam ao seu atendimento,
como também dos estímulos feitos pelos cuidadores no ambiente familiar. Juntos,
pais e terapeutas unem esforços visando um melhor desenvolvimento global da
criança.


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