A paralisia cerebral é uma doença do
sistema nervoso central, caracterizada por transtornos motores não
progressivos que comprometem a coordenação e o tônus muscular.
A origem ocorre desde a concepção
até a primeira infância, nos primeiros cinco anos de vida. As
causas pré-natais decorrem de lesão no encéfalo antes do
nascimento por agentes metabólicos (diabete materna), infecciosos
(rubéola materna) ou mecânicos (irradiação), hereditariedade e
anormalidade cromossômica. As peri-natais são devido a anóxia,
asfixia, traumas e complicações no parto. No período pós-natal,
são decorrentes principalmente de doenças infecciosas (meningites,
encefalites), distúrbios vasculares, traumas e tumores cerebrais que
podem lesar o encéfalo da criança em desenvolvimento.
Nos casos de paralisia cerebral, o
fonoaudiólogo desempenha um papel fundamental, atuando para a
obtenção de melhor controle dos órgãos fonoarticulatórios, na
correção dos distúrbios da fala e no atraso da aquisição da
linguagem oral. As alterações fonoaudiológicas encontradas nos
portadores de paralisia cerebral apresentam graus variáveis de
acordo com o acometimento encefálico.
No que se refere ao sintoma de fala, o
objetivo da fonoterapia é desenvolver o
sistema fonético-fonológico do paciente através de exercícios
voltados para sensibilização dos pontos de articulação.
O trabalho específico com articulação
inicia-se por um som (vogais, consoantes ou onomatopeias – ruídos
de trens, animais, entre outros). Gradativamente vai passando para a
fonação da sílaba, palavra e finalmente frase, isto é, os
movimentos articulatórios devem ser inicialmente isolados e depois
coordenados. O terapeuta emite o fonema e utiliza figuras e
brinquedos para que a criança tenha modelos acústicos e visuais.
Em relação à linguagem oral, o
processo terapêutico tem como objetivo intervir por meio de
situações propícias ao desenvolvimento do processo de aquisição
da linguagem oral. Os atendimentos favorecem diálogos entre
terapeuta e paciente que ocorrem durante vivência de situações
lúdicas, tais como jogos, cantigas, brincadeiras de faz-de-conta,
como recursos para desenvolver habilidades de comunicação.
Nos casos em que os prejuízos
causados pela paralisia cerebral não permitem comunicação oral, há
a possibilidade de recorrer-se a métodos de Comunicação
Suplementar Alternativa.
Nestes casos de ausência da
oralização, o trabalho fonoaudiológico visará a criação de
pranchas, nas quais o portador de paralisia cerebral estabelecerá
comunicação ao ‘apontar’ para sinais gráficos e/ou alfabeto,
desenhos, fotos ou palavra escrita. Os símbolos escolhidos para a
montagem desta prancha decorrem de assuntos recorrentes das terapias, da família ou da escola. Há
também a possibilidade de auxiliar o paciente a fazer uso dos
símbolos dinâmicos - sucessões sonoras, choro, expressões
faciais, mudanças de tônus corporal e silêncio.
É importante que se incorpore ao
trabalho fonoaudiológico outras possibilidades de fala do sujeito
que apenas aquela composta pela materialidade sonora. Esses pacientes
apesar de não apresentar oralização, podem se comunicar por
diferentes modalidades de linguagem. Qualquer manifestação de
linguagem da criança deve ser bem vinda e respeitada.
A partir do momento que se compreende
e respeita os interesses, desejos e sentimentos do paciente, estamos
aptos para atuar com ele valorizando todos os resultados. Devido às
dificuldades motora e posturais, as instalações e atividades devem
adequar-se às limitações do paciente.
Torna-se evidente que é indispensável
a atuação do profissional fonoaudiólogo desde muito cedo na vida
dos sujeitos acometidos pela paralisia cerebral. Para um melhor
desenvolvimento do portador de paralisia cerebral é necessário o
trabalho fonoaudiológico em conjunto da família, paciente, médicos
(pediatra, neurologista, oftalmologista, ortopedista),
fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, ortodontista, psicólogo,
psicopedagogo e assistente social.



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