Fonoaudióloga Camila P. Quintas Bastos - CRFa 15202
Antes de qualquer consideração a
respeito da Síndrome de Down, devemos destacar o quanto é importante à
intervenção precoce dos profissionais de saúde às crianças portadoras da
Síndrome de Down (SD).
Nos mais diversos estudos, no que se
refere ao desenvolvimento intelectual, tem se considerado a deficiência mental
como uma das características mais comuns da SD, trazendo como consequência um
atraso em todas as áreas do desenvolvimento.
A disfunção auditiva observada nestes
pacientes nos mostra prejuízos nas áreas de memória sequencial auditiva e
visual, bem como da linguagem e da fala, em particular.
Nos primeiros anos de vida, há um
declínio no QI, quando seria o ponto máximo deste acontecimento, tornando-se
mais tarde menos evidentes. Este declínio já pode ser observado a partir dos
seis meses de idade, quando as demandas cognitivas tornam-se mais complexas.
Isto explica a necessidade dos atendimentos e tratamentos precoces.
Com bastante frequência podemos
observar perda auditiva nos indivíduos com SD, além dos problemas linguísticos
e fonológicos. A melhora na função cognitiva pode ser obtida através de
procedimentos cirúrgicos ou pelo uso de aparelhos de amplificação, que podem
melhorar de forma muito significativa à atenção auditiva e o desenvolvimento da
fala e da linguagem como um todo.
O trabalho do Fonoaudiólogo com o
paciente com SD é muito vasto e necessário para um desenvolvimento global mais
qualitativo. Isto inclui a estimulação precoce a partir dos primeiros meses de
vida; a estimulação do desenvolvimento da linguagem e fala; do desenvolvimento
cognitivo para melhor aprendizagem futura; do desenvolvimento psicomotor;
estimulação da motricidade orofacial devido aos desvios observados. As dimensões
de mandíbula, maxila e palato são menores, tendo, porém, a altura do palato
normal (comprimento e largura menores). Podemos observar protrusão da língua,
fenda palatina, boca entreaberta e uma impressão de que a língua parece ser
maior do que o normal, em alguns casos chegando à macroglossia. Isto representa
grande dificuldade adicional às funções respiratória, de mastigação, deglutição
e também na fala (articulação).
Outra parte importante do trabalho da
Fonoaudiologia se faz com relação à apneia do sono, condição especialmente
comum na SD, que ocorre devido tanto a fatores obstrutivos quanto centrais. O
que favorece: a hipotonia dos músculos da faringe, a hipotonia da língua, o
tamanho reduzido das estruturas da cavidade oral e da faringe combinados com as
infecções repetidas das vias aéreas que levam à hipertrofia das amígdalas e adenoides.
O palato é estreito e observa-se micrognatia e hipoplasia da região média da
face. A eficácia do trabalho Fonoaudiológico se dá com o fortalecimento das
musculaturas e consequente abertura da passagem do ar na região faríngea.
O Fonoaudiólogo atenderá a criança
com SD e também a sua família e para os demais profissionais que lidam com o
paciente, os princípios do tratamento devem estar bem claros. Todos devem estar
cientes, desde muito cedo, que a criança com SD deseja se comunicar e que
apesar de suas dificuldades, certamente irá conseguir.
As possibilidades para o tratamento
são inúmeras, deixando bem claro que o plano de tratamento deverá ser embasado
numa boa avaliação e no estabelecimento de objetivos, tudo com um objetivo
maior: a facilitação da integração social.

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