quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A Atuação Fonoaudiológica em portadores de Paralisia Cerebral nos sintomas de fala e linguagem oral

Fonoaudióloga Fábia Regina Evangelista - CRFa. 16923



A paralisia cerebral é uma doença do sistema nervoso central, caracterizada por transtornos motores não progressivos que comprometem a coordenação e o tônus muscular.
A origem ocorre desde a concepção até a primeira infância, nos primeiros cinco anos de vida. As causas pré-natais decorrem de lesão no encéfalo antes do nascimento por agentes metabólicos (diabete materna), infecciosos (rubéola materna) ou mecânicos (irradiação), hereditariedade e anormalidade cromossômica. As peri-natais são devido a anóxia, asfixia, traumas e complicações no parto. No período pós-natal, são decorrentes principalmente de doenças infecciosas (meningites, encefalites), distúrbios vasculares, traumas e tumores cerebrais que podem lesar o encéfalo da criança em desenvolvimento.
Nos casos de paralisia cerebral, o fonoaudiólogo desempenha um papel fundamental, atuando para a obtenção de melhor controle dos órgãos fonoarticulatórios, na correção dos distúrbios da fala e no atraso da aquisição da linguagem oral. As alterações fonoaudiológicas encontradas nos portadores de paralisia cerebral apresentam graus variáveis de acordo com o acometimento encefálico.
No que se refere ao sintoma de fala, o objetivo da fonoterapia é desenvolver o sistema fonético-fonológico do paciente através de exercícios voltados para sensibilização dos pontos de articulação.
O trabalho específico com articulação inicia-se por um som (vogais, consoantes ou onomatopeias – ruídos de trens, animais, entre outros). Gradativamente vai passando para a fonação da sílaba, palavra e finalmente frase, isto é, os movimentos articulatórios devem ser inicialmente isolados e depois coordenados. O terapeuta emite o fonema e utiliza figuras e brinquedos para que a criança tenha modelos acústicos e visuais.
Em relação à linguagem oral, o processo terapêutico tem como objetivo intervir por meio de situações propícias ao desenvolvimento do processo de aquisição da linguagem oral. Os atendimentos favorecem diálogos entre terapeuta e paciente que ocorrem durante vivência de situações lúdicas, tais como jogos, cantigas, brincadeiras de faz-de-conta, como recursos para desenvolver habilidades de comunicação.
Nos casos em que os prejuízos causados pela paralisia cerebral não permitem comunicação oral, há a possibilidade de recorrer-se a métodos de Comunicação Suplementar Alternativa.


Nestes casos de ausência da oralização, o trabalho fonoaudiológico visará a criação de pranchas, nas quais o portador de paralisia cerebral estabelecerá comunicação ao ‘apontar’ para sinais gráficos e/ou alfabeto, desenhos, fotos ou palavra escrita. Os símbolos escolhidos para a montagem desta prancha decorrem de assuntos recorrentes das terapias, da família ou da escola. Há também a possibilidade de auxiliar o paciente a fazer uso dos símbolos dinâmicos - sucessões sonoras, choro, expressões faciais, mudanças de tônus corporal e silêncio.
É importante que se incorpore ao trabalho fonoaudiológico outras possibilidades de fala do sujeito que apenas aquela composta pela materialidade sonora. Esses pacientes apesar de não apresentar oralização, podem se comunicar por diferentes modalidades de linguagem. Qualquer manifestação de linguagem da criança deve ser bem vinda e respeitada.
A partir do momento que se compreende e respeita os interesses, desejos e sentimentos do paciente, estamos aptos para atuar com ele valorizando todos os resultados. Devido às dificuldades motora e posturais, as instalações e atividades devem adequar-se às limitações do paciente.



Torna-se evidente que é indispensável a atuação do profissional fonoaudiólogo desde muito cedo na vida dos sujeitos acometidos pela paralisia cerebral. Para um melhor desenvolvimento do portador de paralisia cerebral é necessário o trabalho fonoaudiológico em conjunto da família, paciente, médicos (pediatra, neurologista, oftalmologista, ortopedista), fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, ortodontista, psicólogo, psicopedagogo e assistente social. 

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